A Noite Será Devagar








Bem, aqui estou eu

de novo

ouvindo as boas e velhas

músicas

de novo,

sentindo tristeza,

a boa

tristeza

à moda antiga

em que as lágrimas

não chegam

a sair.

bom.

ouço mais um pouco.

a mente pode

consumir quantidades

mágicas de

memória

enquanto a noite se

desdobra

noite adentro,

enquanto outro charuto

é acesso,

como se pode ficar

terrivelmente amuado

quando velhas

músicas seguem-se

uma às

outras,

rostos são

lembrados,

rostos jovens,

como fatias novas de uma

maçã,

estão mortos

agora,

quase todos

eles

mortos

agora.

a aparente

beleza e

a aparente bravura,

se foram.

sentado aqui

permitindo que meus

melhores sentidos

sejam diluídos pela

melancolia,

um homem

velho,

lembrando

de novo,

olhando de cima

a baixo o bar imaginário

cheio de assentos

vazios,

pensando naquela

criança com os loucos

olhos

vermelhos

que sentava lá

enchendo o copo e

enchendo e enchendo e

enchendo

de novo

ao ponto da

imbecilidade,

agora lembrando,

ouvindo

de novo,

permitindo a idiotice

entrar

de novo,

somos todos

idiotas para sempre

idiotizados

para sempre.

alegremente.

agora.

Charles Bukowski

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